Parcerias internacionais viabilizam primeiro longa de Esmir Filho
O diretor Esmir Filho concorrerá no Festival de Locarno, na Suíça, de 5 a 15 de agosto, com seu primeiro longa-metragem, Os Famosos e os Duendes da Morte, produzido por Sara Silveira em parceria com a Umedia, da França, e apoio do Fonds Sud, organismo francês que apóia projetos internacionais.
Em entrevista ao site do Programa Cinema do Brasil, Esmir fala do apoio que sempre recebeu do Programa e da importância dos festivais brasileiros e internacionais para tornar seu trabalho mais conhecido.
Como você vê o trabalho do Programa Cinema do Brasil ao aproximar produtores brasileiros e internacionais para a concretização de projetos, como seu filme Os Famosos e os Duendes da Morte, que concorrerá no Festival de Locarno?
O Programa Cinema do Brasil sempre me apoiou pelos festivais em que passei com meus curtas. Trabalhei no longa com a produtora Sara Silveira, que sempre teve uma boa relação com eles também. Os parceiros internacionais que tivemos no filme vieram de diversas fontes. Eu já conhecia a UMEDIA, produtora francesa que estava interessada em produzir meu primeiro longa desde que acompanhavam meus curtas, e a parceria foi efetivada no Festival de Berlim, no mercado de co-produção internacional. Foi graças ao FONDS SUD (organismo francês que apóia projetos internacionais) que pudemos contar com o apoio de parceiros internacionais interessados no filme.
O que falta para ações desse tipo se tornarem mais frequentes e produtivas?
Eu acredito muito nos encontros. Minha vida profissional foi uma sucessão de encontros que permitiram que eu construísse a minha carreira. Por isso acho difícil dizer o que falta para ações desse tipo se tornarem mais frequentes. Para mim, fluiu naturalmente, pois sempre fui sincero na abordagem da temática dos meus filmes, fiel ao meu olhar cinematográfico e dedicado a concretizar os meus projetos.
Até que ponto esta exposição em festivais internacionais o ajuda profissionalmente?
Levar meus filmes para festivais internacionais sempre foi muito importante para minha carreira no cenário nacional e internacional. Meus curtas tiveram uma projeção muito boa tanto aqui no Brasil quanto lá fora e isso me permitiu fazer contatos importantes que abriram portas para continuar seguindo minha carreira no cinema. Além disso, me colocou em contato com as produções contemporâneas de todas as partes do mundo. Para mim, frequentar festivais internacionais foi essencial para trocar idéias com diversos cineastas de países diferentes. E conhecer o que vem acontecendo no cinema atual, novas propostas, novos olhares. A troca é muito importante para que a gente evolua no nosso trabalho.
Como nasceu a idéia de Os Famosos e os Duendes da Morte. De que trata a história?
"Os Famosos e os Duendes da Morte" parte do cotidiano monótono de um jovem internauta fã de Bob Dylan que vive em uma pequena cidade alemã do Rio Grande do Sul. O filme tem foco na percepção onírica do adolescente sobre o mundo ao seu redor. Os jovens de hoje têm mais dúvidas que certezas, mais perguntas que respostas. E a internet atua como uma janela para o mundo. Eu busquei retratar o conceito existencial da internet, de como ela transforma a vida dos jovens e ameniza a solidão que os acompanha. O filme retrata uma geração que vive através dos pixels e discute o que é real e o que é virtual/imaginário. Ou o quão real é expor sua vida na internet e o quão imaginário é viver na realidade. Na verdade, "Os Famosos e os Duendes da Morte" é um MOVIMENTO que traz o diálogo entre o filme, o livro, as músicas do jovem músico Nelo Johann (nascido na mesma região que o filme se passa) e os vídeos de internet da personagem "Jinle Jangle", que já estão sendo postados na rede (www.youtube.com/JJingleJangle). Tudo isso compõe o universo adolescente dos dias de hoje.
Seu primeiro adapta livro de Ismael Cannepele. O autor também participou do roteiro do filme. Como funcionou essa parceria?
O que me chamou a atenção no livro de Ismael Caneppele foi sua sensibilidade e poesia ao retratar o adolescente dos dias de hoje frente ao mundo virtual. O livro é único e autêntico. As palavras jorram sentimentos e trazem a tona o conceito de ser adolescente no sentido mais dolorido da palavra, quando a gente se sente parte de um mundo que acredita não pertencer. O rito de passagem da adolescência para a idade adulta é narrado com muita verdade, uma vez que a história se passa na cidade onde o próprio autor nasceu, trazendo em si dados autobiográficos. Por isso, convidei-o para co-escrever o roteiro comigo. Era muito importante manter a verdade dos personagens e da região alemã do Rio Grande do Sul, com suas tradições. Ismael é um ótimo escritor e tem um grande talento como roteirista também. Mais uma vez ressalto a importância da troca, do diálogo para que um trabalho fique melhor ainda. Gosto muito de trabalhar em equipe, acho bom quando o diretor divide o roteiro com alguém que confia e compartilha do mesmo conceito. A experiência fica ainda mais rica.
Nos seus filmes, os curtas "Saliva" e "Alguma Coisa Assim", você retratou o universo jovem e adolescente urbano. Você acredita que há uma lacuna sobre esta faixa etária nos filmes brasileiros atuais?
Eu estou muito ligado ao universo do adolescente, pois trata-se de uma época em que estamos descobrindo muitas coisas sobre nós mesmos e aprendendo a lidar com nossos desejos e sentimentos escondidos. Me encanta os ritos de passagem. Entrar na mente da criança e do adolescente, revelando seus desejos mais íntimos e expondo suas fragilidades. Existe sim uma lacuna sobre essa faixa etária nos filmes brasileiros de hoje. As pessoas não estão acostumadas a ver o universo adolescente nas telas de cinema. Eu sempre procuro retratar esse universo de forma poética e onírica. Porque para mim, a adolescência é sonhar demais, sofrer demais, iludir-se demais. Mas tudo isso é muito belo, pois leva ao amadurecimento. Todos passaram por isso e. de certa forma, vejo uma identificação de todas as idades com o tema.
Você já está pensando em um novo projeto? Como será sua produção?
Estou em fase de criação do meu próximo projeto mais uma vez com Ismael Caneppele. Mas, no momento, aguardamos o lançamento do longa Os Famosos e os Duendes da Morte nos festivais internacionais e nacionais, e o lançamento comercial em novembro no Brasil, com distribuição Warner Bros. Acho bom curtir todas as fases!
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Em entrevista ao site do Programa Cinema do Brasil, Esmir fala do apoio que sempre recebeu do Programa e da importância dos festivais brasileiros e internacionais para tornar seu trabalho mais conhecido.
Como você vê o trabalho do Programa Cinema do Brasil ao aproximar produtores brasileiros e internacionais para a concretização de projetos, como seu filme Os Famosos e os Duendes da Morte, que concorrerá no Festival de Locarno?
O Programa Cinema do Brasil sempre me apoiou pelos festivais em que passei com meus curtas. Trabalhei no longa com a produtora Sara Silveira, que sempre teve uma boa relação com eles também. Os parceiros internacionais que tivemos no filme vieram de diversas fontes. Eu já conhecia a UMEDIA, produtora francesa que estava interessada em produzir meu primeiro longa desde que acompanhavam meus curtas, e a parceria foi efetivada no Festival de Berlim, no mercado de co-produção internacional. Foi graças ao FONDS SUD (organismo francês que apóia projetos internacionais) que pudemos contar com o apoio de parceiros internacionais interessados no filme.
O que falta para ações desse tipo se tornarem mais frequentes e produtivas?
Eu acredito muito nos encontros. Minha vida profissional foi uma sucessão de encontros que permitiram que eu construísse a minha carreira. Por isso acho difícil dizer o que falta para ações desse tipo se tornarem mais frequentes. Para mim, fluiu naturalmente, pois sempre fui sincero na abordagem da temática dos meus filmes, fiel ao meu olhar cinematográfico e dedicado a concretizar os meus projetos.
Até que ponto esta exposição em festivais internacionais o ajuda profissionalmente?
Levar meus filmes para festivais internacionais sempre foi muito importante para minha carreira no cenário nacional e internacional. Meus curtas tiveram uma projeção muito boa tanto aqui no Brasil quanto lá fora e isso me permitiu fazer contatos importantes que abriram portas para continuar seguindo minha carreira no cinema. Além disso, me colocou em contato com as produções contemporâneas de todas as partes do mundo. Para mim, frequentar festivais internacionais foi essencial para trocar idéias com diversos cineastas de países diferentes. E conhecer o que vem acontecendo no cinema atual, novas propostas, novos olhares. A troca é muito importante para que a gente evolua no nosso trabalho.
Como nasceu a idéia de Os Famosos e os Duendes da Morte. De que trata a história?
"Os Famosos e os Duendes da Morte" parte do cotidiano monótono de um jovem internauta fã de Bob Dylan que vive em uma pequena cidade alemã do Rio Grande do Sul. O filme tem foco na percepção onírica do adolescente sobre o mundo ao seu redor. Os jovens de hoje têm mais dúvidas que certezas, mais perguntas que respostas. E a internet atua como uma janela para o mundo. Eu busquei retratar o conceito existencial da internet, de como ela transforma a vida dos jovens e ameniza a solidão que os acompanha. O filme retrata uma geração que vive através dos pixels e discute o que é real e o que é virtual/imaginário. Ou o quão real é expor sua vida na internet e o quão imaginário é viver na realidade. Na verdade, "Os Famosos e os Duendes da Morte" é um MOVIMENTO que traz o diálogo entre o filme, o livro, as músicas do jovem músico Nelo Johann (nascido na mesma região que o filme se passa) e os vídeos de internet da personagem "Jinle Jangle", que já estão sendo postados na rede (www.youtube.com/JJingleJangle). Tudo isso compõe o universo adolescente dos dias de hoje.
Seu primeiro adapta livro de Ismael Cannepele. O autor também participou do roteiro do filme. Como funcionou essa parceria?
O que me chamou a atenção no livro de Ismael Caneppele foi sua sensibilidade e poesia ao retratar o adolescente dos dias de hoje frente ao mundo virtual. O livro é único e autêntico. As palavras jorram sentimentos e trazem a tona o conceito de ser adolescente no sentido mais dolorido da palavra, quando a gente se sente parte de um mundo que acredita não pertencer. O rito de passagem da adolescência para a idade adulta é narrado com muita verdade, uma vez que a história se passa na cidade onde o próprio autor nasceu, trazendo em si dados autobiográficos. Por isso, convidei-o para co-escrever o roteiro comigo. Era muito importante manter a verdade dos personagens e da região alemã do Rio Grande do Sul, com suas tradições. Ismael é um ótimo escritor e tem um grande talento como roteirista também. Mais uma vez ressalto a importância da troca, do diálogo para que um trabalho fique melhor ainda. Gosto muito de trabalhar em equipe, acho bom quando o diretor divide o roteiro com alguém que confia e compartilha do mesmo conceito. A experiência fica ainda mais rica.
Nos seus filmes, os curtas "Saliva" e "Alguma Coisa Assim", você retratou o universo jovem e adolescente urbano. Você acredita que há uma lacuna sobre esta faixa etária nos filmes brasileiros atuais?
Eu estou muito ligado ao universo do adolescente, pois trata-se de uma época em que estamos descobrindo muitas coisas sobre nós mesmos e aprendendo a lidar com nossos desejos e sentimentos escondidos. Me encanta os ritos de passagem. Entrar na mente da criança e do adolescente, revelando seus desejos mais íntimos e expondo suas fragilidades. Existe sim uma lacuna sobre essa faixa etária nos filmes brasileiros de hoje. As pessoas não estão acostumadas a ver o universo adolescente nas telas de cinema. Eu sempre procuro retratar esse universo de forma poética e onírica. Porque para mim, a adolescência é sonhar demais, sofrer demais, iludir-se demais. Mas tudo isso é muito belo, pois leva ao amadurecimento. Todos passaram por isso e. de certa forma, vejo uma identificação de todas as idades com o tema.
Você já está pensando em um novo projeto? Como será sua produção?
Estou em fase de criação do meu próximo projeto mais uma vez com Ismael Caneppele. Mas, no momento, aguardamos o lançamento do longa Os Famosos e os Duendes da Morte nos festivais internacionais e nacionais, e o lançamento comercial em novembro no Brasil, com distribuição Warner Bros. Acho bom curtir todas as fases!