entrevistas

Maya Da-Rin: Locarno aposta em novos talentos

A diretora Maya Da-Rin participou em agosto do 62º. Festival de Cinema de Locarno com seu filme “Terras”, um documentário ambientado na região de fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, no coração da Amazônia, da produtora Cineluz. O filme investiga a realidade política e cultural dessa região, local de cruzamento entre diversos povos, culturas, línguas e credos. Por meio de uma abordagem poética, registra a presença e influência da fronteira na vida de seus habitantes. Bem recebido pelo público e pela crítica, o trabalho de Maya foi convidado para participar de outros festivais. Nesta entrevista ao Programa Cinema do Brasil, a diretora fala sobre sua experiência em Locarno e seus próximos projetos.


Que balanço você faz do Festival de Locarno? Qual a importância de um festival como esse para cineastas e produtores brasileiros?

Locarno é um dos maiores festivais de cinema do mundo. É um festival que está na sua 62ª edição e que, ao mesmo tempo em que conta com uma larga trajetória e tradição, mantém sua linha de curadoria voltada para o cinema autoral. Acredito que Locarno é um espaço importante de encontro entre realizadores, produtores, distribuidores e público interessados em um cinema de investigação de novas formas de linguagem e de narrativa. Locarno tem também a tradição de apostar em novos realizadores, que apresentam no festival seu primeiro ou segundo filme, muitas vezes projetos de baixo orçamento realizados de forma realmente independente. Este ano, o festival apresentou cinco filmes brasileiros, todos muito diversos entre si, mas todos também projetos singulares. Acredito que, para os realizadores e produtores brasileiros, o Festival de Locarno é uma plataforma importante de exibição e divulgação de um novo cinema que vem sendo realizado no País.


Como foi a recepção de seu filme pelo público e pela crítica?

Foi a primeira exibição do filme e acredito que houve uma boa recepção. As duas sessões estavam cheias e o filme foi bastante aplaudido. O festival tem um público cativo, as salas são grandes e as sessões costumam estar repletas. Os comentários e críticas também foram positivos. Uma coisa particular que aconteceu em Locarno e me deixou muito feliz foi ter recebido mensagens por e-mail de pessoas do público com comentários sobre o filme.


Você recebeu convites para participar de outros festivais?

Recebemos convites para festivais na Europa, Estados Unidos e América Latina. Locarno trás uma visibilidade grande aos filmes. Muitos programadores de outros festivais vão a Locarno ou consultam o catálogo do festival.

Fez contatos para distribuição de “Terras” em outros países? Algum acordo de distribuição já fechado?

Fomos contatados por um distribuidor europeu que assistiu ao filme durante o festival e estamos em negociação. “Terras” é meu primeiro longa-metragem e eu não tinha a expectativa de distribuição internacional. Foi muito bom perceber que existe um interesse do mercado exterior para a distribuição de documentários.


Fez algum contato com produtores estrangeiros já pensando em seus próximos trabalhos? Você pode adiantar alguma coisa de seu próximo projeto?

Uma produtora suíça manifestou interesse em realizar uma co-produção para um projeto futuro. Tenho dois projetos em desenvolvimento, um curta metragem de ficção chamado “Último Andar” e um projeto de longa-metragem ainda em fase bastante inicial. Mas nesse momento estou buscando me concentrar no lançamento de “Terras”. Espero poder realizar os novos projetos mais adiante.


Já existe data para lançamento de seu filme no Brasil? Você pretende inscrevê-lo em festivais brasileiros?

Não temos previsão de lançamento. O filme acaba de ser finalizado e ainda não contamos com um distribuidor brasileiro. Espero que seja possível lançar o filme em circuito comercial no Brasil, esse ainda é um desafio para nós. Inscrevemos o filme em festivais brasileiros e estamos aguardando o resultado das seleções.


Como você vê o trabalho desenvolvido pelo Programa Cinema do Brasilna aproximação de produtores brasileiros e internacionais? Em que medida isso ajuda jovens realizadores como você própria?

O Cinema do Brasil vem realizando um trabalho importante de promoção do cinema brasileiro no exterior, pela presença em festivais e de medidas de incentivo à co-produção e distribuição. Espero que o Programa possa expandir cada vez mais sua atuação, não apenas nos maiores festivais e mercados, mas também dando suporte a projetos que, por não contarem com uma grande estrutura de produção, carecem de um apoio maior para sua divulgação e distribuição.
voltar para entrevistas
© Cinema do Brasil - 2010