Cláudia Natividade: qualificação dos profissionais abre portas no exterior
A produtora Cláudia Natividade, da Zencrane Filmes, será uma das palestrantes do curso "O Empreendedor no mercado audiviovisual globalizado", que o Programa Cinema do Brasil realizará de 7 a 9 de dezembro no Hotel Caesar Business, em São Paulo. Para Cláudia, a produção brasileira ainda é bastante fechada e voltada para as possibilidades do mercado interno, por isso o curso será importante na qualificação dos profissionais brasileiros e apresentará opções diferenciadas de trabalho no setor.
Como pode ser analisado, hoje, o mercado audiovisual internacional? Sofreu muitas transformações nos últimos anos?
Sofreu bastante modificação, especialmente em relação ao aumento do número de filmes/ano e do aumento da competitividade. Hoje os principais festivais internacionais de mercado - que funcionam como janela de exposição para as vendas internacionais dos filmes - recebem um número enorme inscrições. Mais de 6.000 de vários países a cada edição. Com isso, tem aumentado muito a disputa por espaço e visibilidade neste mercado e também o trabalho do produtor na promoção do filme. As vendas internacionais também estão cada vez mais competitivas em consequência deste mesmo aumento de produção e da grande concentração de ingressos vendidos em algumas poucas grandes produções internacionais.
O profissional brasileiro está acompanhando esse cenário, ou ele precisa se qualificar melhor para realizar bons negócios no exterior?
Os filmes brasileiros de maneira geral sempre foram bem recebidos nos festivais internacionais. Contudo, nos últimos anos, é notável o aumento da participação de produtores brasileiros e projetos brasileiros nos eventos internacionais de co-produção e nos financiamentos internacionais. A qualificação acaba sendo um processo natural deste aumento da participação. Na publicidade e na televisão, o Brasil já está presente na venda de projetos e produtos nos mercados internacionais há mais tempo; no cinema esse processo é mais recente, mas sem dúvida inevitável.
O produtor brasileiro precisa ser um conhecedor de técnicas de marketing para poder “vender” seu projeto lá fora, ou basta ter um bom produto?
No cinema é fundamental ter um bom roteiro. Esse é nosso primeiro instrumento de promoção. Parece simples, mas na verdade roteiro bom é uma coisa muito rara. A partir dessa primeira premissa é sempre bom ter domínio de formatação técnica de um argumento em poucas laudas, do projeto de um filme, e saber fazer uma apresentação breve de projetos (pitchings). Outra coisa fundamental no mercado internacional é ter boa fluência em pelo menos duas línguas estrangeiras, sendo necessariamente uma delas o inglês.
Quais as chances dos produtores brasileiros em um mercado tão competitivo como o atual?
Muitas. Existem possibilidades de co-produção internacional de projetos, financiamento de filmes em fundos internacionais, venda de filmes prontos para o mercado internacional, desenvolvimento e venda de argumentos e roteiros, trabalho em produções internacionais filmadas no Brasil ou não.
Que aspectos do mercado de produção você pretende destacar em sua palestra?
Pretendo fazer uma palestra mais introdutória sobre as possibilidades de produção e co-produção no mercado internacional.Uma palestra bem didática, com dicas para quem está começando a trabalhar no mercado audiovisual fora do Brasil.
Qual a importância desse curso na reciclagem do profissional brasileiro?
Acho muito propício o curso de qualificação. A produção de cinema brasileira ainda é bastante fechada e voltada para as possibilidades internas de mercado. O curso de qualificação, acredito, vem prioritariamente para apresentar opções diferenciadas de trabalho no setor. O resto neste mercado é muito trabalho e muitos contatos.
Temos algum tipo de dificuldade em particular para fechar negócios no mercado externo?
Acho que nossa principal dificuldade em fechar negócios é conseguir fechar o dinheiro inicial em casa, no Brasil. Como não temos uma política de participação das TVs na produção de filmes independentes no Brasil, o produtor brasileiro nunca sabe se, como e quando terá dinheiro para suprir sua parte em uma co-produção internacional. Isso dificulta imensamente o fechamento de contratos de co-produção e até mesmo de pré-vendas dos filmes, porque nestes contratos temos que ter uma data prevista de entrega do “produto”. Se não sabemos se e quando teremos dinheiro, não sabemos quando poderemos produzir e logo não podemos nos comprometer no mercado exterior.
Você pode destacar filmes de sua produtora já lançados no exterior? Em termos de co-produção, o que já foi feito por sua empresa e o que está em andamento para os próximos meses?
Já fazíamos vendas de curtas e documentários para canais de televisão na Europa. No cinema nosso primeiro filme de ficção, “Estômago”, vendeu para mais de 20 países, com distribuição em salas de cinema. O remake do filme também foi negociado no mercado americano. Atualmente estamos trabalhando com dois projetos de produção para o mercado internacional (“2 Seqüestros” e “Under Your Feet”). Utilizarei estes dois projetos como casos ilustrativos na palestra. Também estamos trabalhando com o desenvolvimento de roteiros para o mercado americano.
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Como pode ser analisado, hoje, o mercado audiovisual internacional? Sofreu muitas transformações nos últimos anos?
Sofreu bastante modificação, especialmente em relação ao aumento do número de filmes/ano e do aumento da competitividade. Hoje os principais festivais internacionais de mercado - que funcionam como janela de exposição para as vendas internacionais dos filmes - recebem um número enorme inscrições. Mais de 6.000 de vários países a cada edição. Com isso, tem aumentado muito a disputa por espaço e visibilidade neste mercado e também o trabalho do produtor na promoção do filme. As vendas internacionais também estão cada vez mais competitivas em consequência deste mesmo aumento de produção e da grande concentração de ingressos vendidos em algumas poucas grandes produções internacionais.
O profissional brasileiro está acompanhando esse cenário, ou ele precisa se qualificar melhor para realizar bons negócios no exterior?
Os filmes brasileiros de maneira geral sempre foram bem recebidos nos festivais internacionais. Contudo, nos últimos anos, é notável o aumento da participação de produtores brasileiros e projetos brasileiros nos eventos internacionais de co-produção e nos financiamentos internacionais. A qualificação acaba sendo um processo natural deste aumento da participação. Na publicidade e na televisão, o Brasil já está presente na venda de projetos e produtos nos mercados internacionais há mais tempo; no cinema esse processo é mais recente, mas sem dúvida inevitável.
O produtor brasileiro precisa ser um conhecedor de técnicas de marketing para poder “vender” seu projeto lá fora, ou basta ter um bom produto?
No cinema é fundamental ter um bom roteiro. Esse é nosso primeiro instrumento de promoção. Parece simples, mas na verdade roteiro bom é uma coisa muito rara. A partir dessa primeira premissa é sempre bom ter domínio de formatação técnica de um argumento em poucas laudas, do projeto de um filme, e saber fazer uma apresentação breve de projetos (pitchings). Outra coisa fundamental no mercado internacional é ter boa fluência em pelo menos duas línguas estrangeiras, sendo necessariamente uma delas o inglês.
Quais as chances dos produtores brasileiros em um mercado tão competitivo como o atual?
Muitas. Existem possibilidades de co-produção internacional de projetos, financiamento de filmes em fundos internacionais, venda de filmes prontos para o mercado internacional, desenvolvimento e venda de argumentos e roteiros, trabalho em produções internacionais filmadas no Brasil ou não.
Que aspectos do mercado de produção você pretende destacar em sua palestra?
Pretendo fazer uma palestra mais introdutória sobre as possibilidades de produção e co-produção no mercado internacional.Uma palestra bem didática, com dicas para quem está começando a trabalhar no mercado audiovisual fora do Brasil.
Qual a importância desse curso na reciclagem do profissional brasileiro?
Acho muito propício o curso de qualificação. A produção de cinema brasileira ainda é bastante fechada e voltada para as possibilidades internas de mercado. O curso de qualificação, acredito, vem prioritariamente para apresentar opções diferenciadas de trabalho no setor. O resto neste mercado é muito trabalho e muitos contatos.
Temos algum tipo de dificuldade em particular para fechar negócios no mercado externo?
Acho que nossa principal dificuldade em fechar negócios é conseguir fechar o dinheiro inicial em casa, no Brasil. Como não temos uma política de participação das TVs na produção de filmes independentes no Brasil, o produtor brasileiro nunca sabe se, como e quando terá dinheiro para suprir sua parte em uma co-produção internacional. Isso dificulta imensamente o fechamento de contratos de co-produção e até mesmo de pré-vendas dos filmes, porque nestes contratos temos que ter uma data prevista de entrega do “produto”. Se não sabemos se e quando teremos dinheiro, não sabemos quando poderemos produzir e logo não podemos nos comprometer no mercado exterior.
Você pode destacar filmes de sua produtora já lançados no exterior? Em termos de co-produção, o que já foi feito por sua empresa e o que está em andamento para os próximos meses?
Já fazíamos vendas de curtas e documentários para canais de televisão na Europa. No cinema nosso primeiro filme de ficção, “Estômago”, vendeu para mais de 20 países, com distribuição em salas de cinema. O remake do filme também foi negociado no mercado americano. Atualmente estamos trabalhando com dois projetos de produção para o mercado internacional (“2 Seqüestros” e “Under Your Feet”). Utilizarei estes dois projetos como casos ilustrativos na palestra. Também estamos trabalhando com o desenvolvimento de roteiros para o mercado americano.