Cinema brasileiro busca parcerias em outros países para viabilizar a produção nacional
DANIELLE NORONHA
UOL
11/2/2010
No mundo todo, a co-produção tem se mostrado uma alternativa para viabilizar a realização de filmes. Abrangente, o termo pode englobar parceria em diversas áreas da produção de uma obra cinematográfica, desde a co-produção financeira, criativa ou técnica. No Brasil, assim como em diversos países que dependem de incentivo fiscal para realizarem os seus filmes, a co-produção surge como uma oportunidade de dividir custos, tarefas do desenvolvimento, difundir histórias e ampliar as fronteiras de distribuição. “O número de co-produções internacionais cresceu muito nos últimos anos. Em 2003, faziam-se em média cinco parcerias por ano; hoje, este número saltou para mais de 30”, diz Manoel Rangel, diretor-presidente da Ancine, sobre o Brasil.
Um exemplo do maior "esforço" brasileiro para co-produções é o Cinema do Brasil - criado em 2006 pelo Siaesp (Sindicato da Indústria Audiovisual do Estado de São Paulo), Apex (Agência de Promoção de Exportações e Investimentos) e Ministério da Cultura -, programa que, com o apoio da Ancine e do Itamaraty, participa de festivais e promove encontros com representantes de diversos países com o objetivo de estimular o interesse internacional no país. Os acordos bilaterais são outra iniciativa importante. O Brasil já tem parceira com nove países: Argentina, Alemanha, Canadá, Chile, Espanha, França, Itália, Portugal e Venezuela, além da participação em acordos multilaterais como o Convênio de Integração Cinematográfica Ibero-Americana e o Acordo Latino-Americano de Co-Produção Cinematográfica.
Para estimular ainda mais a realização de co-produções internacionais, Rangel conta que o país assinou recentemente acordo com a Índia, China e Israel e revê acordos antigos, que estão com os textos considerados ultrapassados, como fez em 2008, com a Itália.
Uma forma a mais de viabilizar um filme
Mauricio Ramos (“Abril Despedaçado”), diretor geral e produtor da Videofilmes, vê a co-produção como uma importante ferramenta para o cinema brasileiro, principalmente o autoral, que tem mais dificuldade de captar recursos que o cinema comercial.
“A co-produção tem uma importância muito grande para o cinema como um todo e, especificamente, para um cinema que busca mostrar nossas raízes, nossa cultura. É esse cinema que tem viajado mais e que consegue nos representar melhor nos festivais”, diz o produtor.
A produtora Andréa Barata (“Ensaio Sobre a Cegueira”), da O2 Filmes, também vê a co-produção como uma forma a mais dos produtores conseguirem parceiros para financiar e concluir um filme, mas todo cuidado deve ser tomado na hora de escolher com quem fará a co-produção. “A co-produção também pode ser uma coisa catastrófica, você vai lidar com pessoas de outros países e é importante que conheça bem quem é o seu co-produtor. É preciso pensar em tudo, inclusive numa possível briga”, diz a produtora.
Ramos também chama a atenção para outro ponto importante: o roteiro. Para que justifique uma boa co-produção é importante que a colaboração não seja apenas pelo dinheiro ou reconhecimento, é necessário que tenha envolvimento dos países. O roteiro ou o projeto precisam estar ligado a todos os participantes.
“Um filme com uma dramaturgia muito brasileira pode ter um parceiro que entre com a finalização de áudio e/ou imagem. Mas muitos projetos precisam ir além, precisa ter troca de técnicos, atores convidados e neste caso, você precisa que o roteiro se adapte organicamente a isso, para você num ter simplesmente um roteiro adaptado à situação só porque veio dinheiro de outro país”, comenta Mauricio.
Dentre as co-produções realizadas no país, temos o exemplo do filme “Ensaio Sobre a Cegueira”, de Fernando Meirelles, que abriu o festival de Cannes em 2008 e melhorou a visibilidade da produtora e do diretor para o mundo. “Essa relação me abriu portas e hoje é cada vez mais fácil eu financiar projetos contando com dinheiro e participação criativa de fora”, conta Meirelles.
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UOL
11/2/2010
No mundo todo, a co-produção tem se mostrado uma alternativa para viabilizar a realização de filmes. Abrangente, o termo pode englobar parceria em diversas áreas da produção de uma obra cinematográfica, desde a co-produção financeira, criativa ou técnica. No Brasil, assim como em diversos países que dependem de incentivo fiscal para realizarem os seus filmes, a co-produção surge como uma oportunidade de dividir custos, tarefas do desenvolvimento, difundir histórias e ampliar as fronteiras de distribuição. “O número de co-produções internacionais cresceu muito nos últimos anos. Em 2003, faziam-se em média cinco parcerias por ano; hoje, este número saltou para mais de 30”, diz Manoel Rangel, diretor-presidente da Ancine, sobre o Brasil.
Um exemplo do maior "esforço" brasileiro para co-produções é o Cinema do Brasil - criado em 2006 pelo Siaesp (Sindicato da Indústria Audiovisual do Estado de São Paulo), Apex (Agência de Promoção de Exportações e Investimentos) e Ministério da Cultura -, programa que, com o apoio da Ancine e do Itamaraty, participa de festivais e promove encontros com representantes de diversos países com o objetivo de estimular o interesse internacional no país. Os acordos bilaterais são outra iniciativa importante. O Brasil já tem parceira com nove países: Argentina, Alemanha, Canadá, Chile, Espanha, França, Itália, Portugal e Venezuela, além da participação em acordos multilaterais como o Convênio de Integração Cinematográfica Ibero-Americana e o Acordo Latino-Americano de Co-Produção Cinematográfica.
Para estimular ainda mais a realização de co-produções internacionais, Rangel conta que o país assinou recentemente acordo com a Índia, China e Israel e revê acordos antigos, que estão com os textos considerados ultrapassados, como fez em 2008, com a Itália.
Uma forma a mais de viabilizar um filme
Mauricio Ramos (“Abril Despedaçado”), diretor geral e produtor da Videofilmes, vê a co-produção como uma importante ferramenta para o cinema brasileiro, principalmente o autoral, que tem mais dificuldade de captar recursos que o cinema comercial.
“A co-produção tem uma importância muito grande para o cinema como um todo e, especificamente, para um cinema que busca mostrar nossas raízes, nossa cultura. É esse cinema que tem viajado mais e que consegue nos representar melhor nos festivais”, diz o produtor.
A produtora Andréa Barata (“Ensaio Sobre a Cegueira”), da O2 Filmes, também vê a co-produção como uma forma a mais dos produtores conseguirem parceiros para financiar e concluir um filme, mas todo cuidado deve ser tomado na hora de escolher com quem fará a co-produção. “A co-produção também pode ser uma coisa catastrófica, você vai lidar com pessoas de outros países e é importante que conheça bem quem é o seu co-produtor. É preciso pensar em tudo, inclusive numa possível briga”, diz a produtora.
Ramos também chama a atenção para outro ponto importante: o roteiro. Para que justifique uma boa co-produção é importante que a colaboração não seja apenas pelo dinheiro ou reconhecimento, é necessário que tenha envolvimento dos países. O roteiro ou o projeto precisam estar ligado a todos os participantes.
“Um filme com uma dramaturgia muito brasileira pode ter um parceiro que entre com a finalização de áudio e/ou imagem. Mas muitos projetos precisam ir além, precisa ter troca de técnicos, atores convidados e neste caso, você precisa que o roteiro se adapte organicamente a isso, para você num ter simplesmente um roteiro adaptado à situação só porque veio dinheiro de outro país”, comenta Mauricio.
Dentre as co-produções realizadas no país, temos o exemplo do filme “Ensaio Sobre a Cegueira”, de Fernando Meirelles, que abriu o festival de Cannes em 2008 e melhorou a visibilidade da produtora e do diretor para o mundo. “Essa relação me abriu portas e hoje é cada vez mais fácil eu financiar projetos contando com dinheiro e participação criativa de fora”, conta Meirelles.