Há pelo menos cinqüenta anos o cinema brasileiro desfruta de visibilidade internacional. Inicialmente em festivais, fruto da radicalidade política e estética dos filmes do Cinema Novo. Mais tarde, nos mercados, em conseqüência de ações da Embrafilme e do sucesso episódico de alguns filmes junto ao público europeu.
Na economia global em que vivemos, estas iniciativas fragmentárias já não seriam suficientes. A Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura tem plena consciência de que não pode haver indústria cinematográfica isolada dos mercados internacionais. O Brasil reorganizou sua cinematografia com base nos incentivos fiscais e um dos maiores desafios atuais é a ampliação do número de parceiros comerciais, sobretudo no mercado internacional. Precisamos atrair recursos para produção e, ao mesmo tempo, conquistar novos mercados trazidos pelos co-produtores.
O Brasil vinha se ressentindo de uma política externa setorial capaz de promover sinergia entre as ações das instituições públicas e os esforços individuais de nossos produtores. Nos últimos dez anos esta política externa vem sendo articulada em três eixos principais. O primeiro é a criação ou renovação de acordos bilateriais e multilaterais entre autoridades nacionais, como foi feito com Portugal, Alemanha, França, Canadá e Iberoamérica; e como está sendo feito com Índia, China e Itália, entre outros países. O segundo é o investimento no desenvolvimento de projetos e na capacitação dos produtores para enfrentar o ambiente competitivo dos mercados internacionais. Por último, mas não menos importante, a criação de novas oportunidades de negócios de co-produção e de exportação de nossas obras audiovisuais, tornando sistemática a presença de produtores brasileiros nos principais festivais e mercados especializados.
Os programas setoriais de promoção e exportação criados pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura têm sido instrumentos fundamentais de afirmação desta política. Em 2005 surgiu o programa Brazilian TV Producers. Os primeiros resultados foram animadores e, no ano seguinte, em parceria com a Apex - Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos, investimos na criação do programa Cinema do Brasil, gerido pelo SIAESP - Sindicato da Indústria Audiovisual do Estado de São Paulo. O projeto começou com 13 produtores associados, no segundo ano já havia incorporado mais de cem e as adesões continuam. No primeiro ano, totalizou US$ 27 milhões em negócios efetivados, entre co-produção e vendas, com estimativa de US$ 43 milhões para 2008.
A presença crescente de nossos filmes nos festivais e o aumento progressivo das parcerias comerciais mostra que estamos atingindo um novo patamar no processo de conquista de espaço internacional para o cinema brasileiro, nesta década marcada pela conquista de dois Ursos de Ouro no Festival de Berlim - Central do Brasil e Tropa de Elite. Nosso otimismo está plenamente justificado, embora tenhamos ainda um longo caminho a percorrer.
Silvio Da-Rin
Secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura
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Na economia global em que vivemos, estas iniciativas fragmentárias já não seriam suficientes. A Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura tem plena consciência de que não pode haver indústria cinematográfica isolada dos mercados internacionais. O Brasil reorganizou sua cinematografia com base nos incentivos fiscais e um dos maiores desafios atuais é a ampliação do número de parceiros comerciais, sobretudo no mercado internacional. Precisamos atrair recursos para produção e, ao mesmo tempo, conquistar novos mercados trazidos pelos co-produtores.
O Brasil vinha se ressentindo de uma política externa setorial capaz de promover sinergia entre as ações das instituições públicas e os esforços individuais de nossos produtores. Nos últimos dez anos esta política externa vem sendo articulada em três eixos principais. O primeiro é a criação ou renovação de acordos bilateriais e multilaterais entre autoridades nacionais, como foi feito com Portugal, Alemanha, França, Canadá e Iberoamérica; e como está sendo feito com Índia, China e Itália, entre outros países. O segundo é o investimento no desenvolvimento de projetos e na capacitação dos produtores para enfrentar o ambiente competitivo dos mercados internacionais. Por último, mas não menos importante, a criação de novas oportunidades de negócios de co-produção e de exportação de nossas obras audiovisuais, tornando sistemática a presença de produtores brasileiros nos principais festivais e mercados especializados.
Os programas setoriais de promoção e exportação criados pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura têm sido instrumentos fundamentais de afirmação desta política. Em 2005 surgiu o programa Brazilian TV Producers. Os primeiros resultados foram animadores e, no ano seguinte, em parceria com a Apex - Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos, investimos na criação do programa Cinema do Brasil, gerido pelo SIAESP - Sindicato da Indústria Audiovisual do Estado de São Paulo. O projeto começou com 13 produtores associados, no segundo ano já havia incorporado mais de cem e as adesões continuam. No primeiro ano, totalizou US$ 27 milhões em negócios efetivados, entre co-produção e vendas, com estimativa de US$ 43 milhões para 2008.
A presença crescente de nossos filmes nos festivais e o aumento progressivo das parcerias comerciais mostra que estamos atingindo um novo patamar no processo de conquista de espaço internacional para o cinema brasileiro, nesta década marcada pela conquista de dois Ursos de Ouro no Festival de Berlim - Central do Brasil e Tropa de Elite. Nosso otimismo está plenamente justificado, embora tenhamos ainda um longo caminho a percorrer.
Silvio Da-Rin
Secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura